UFPR lança plataforma para receber denúncias de violência

Discriminações por orientação sexual, machismo, racismo e outras podem ser denunciadas pela internet; grupo da universidade irá prestar apoio às vítimas

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A Universidade Federal do Paraná (UFPR) lançou, nesta quarta-feira (12), a plataforma “Conte Conosco”, para receber denúncias de vítimas de violências. A iniciativa é uma resposta da instituição a ameaças de estupro encontrados nas paredes do curso de Arquitetura e Urbanismo, no Centro Politécnico, no início deste ano.

Para denunciar, basta preencher um formulário com nome, email, telefone, relação com a universidade (estudante, professor, comunidade externa, etc), em qual campus a situação ocorreu. Além disso, há uma caixa para relatar o ocorrido.

O formulário vai para uma equipe de “telerregulares”, é a linha de frente, que vai apurar o ocorrido, acionar um suporte à vítima, caso necessário, e encaminhar para possíveis punições aos responsáveis. Caso necessário, é acionada uma equipe de apoio, com profissionais do Direito, da Psicologia e do Serviço Social, que farão o trabalho mais “corpo a corpo”.

“Cada um lida com a agressão de uma maneira. Alguns usam a resignação, querem sobrepujar sozinhos esta adversidade. Mas a oportunidade de receber um grupo de apoio que vai lhe informar sobre os seus direitos, dar apoio psicológico, social, oferecer consultoria médica, de enfermagem, pode ser o diferencial”, defende o professor de Medicina Rogério Mulinari, vice-reitor da UFPR, que liderou a iniciativa.

A plataforma web Conte Conosco integra a campanha “UFPR para todas as gentes”, lançada pela administração da universidade. “Nós, que somos da paz, já tínhamos como valores uma política pública de inclusão. Nossa universidade foi pioneira e agora é um marco no combate à violência, à discriminação”, discursou o reitor Zaki Akel, em referência à UFPR ter sido uma das primeiras instituições federais a criar uma política própria de cotas no vestibular.

A UFPR é a primeira universidade do país a ter um canal integrado para lidar com estes casos, segundo Rogério Mulinari. Outras instituições, como a Universidade de São Paulo (USP), têm fóruns para os núcleos de pesquisa, ou grupos da comunidade (como os coletivos estudantis), mas não uma ação institucional. As denúncias podem ser feitas em www.conteconosco.ufpr.br.

Integração com o HC

Grupos de trabalho já existentes no Hospital de Clínicas (HC), ligado à universidade, foram integrados ao projeto. Um deles é a estratégia da criança e do adolescente, uma vez que há menores aprendizes e filhos de funcionários e outras crianças e adolescentes que circulam pelos campi da universidade. O segundo é o grupo de enfrentamento à violência.

Estupro

O atendimento às vítimas de estupro é uma das prioridades do Conte Conosco, devido à gravidade deste crime. Atualmente, estimativas do grupo de enfrentamento à violência do HC apontam que o atendimento é feito em uma em cada 17 mulheres vítimas de estupro. “O Conte Conosco está às procura das outras 16”, explica Mulinari.

O vice-reitor explica que, embora já haja hoje plataformas para acolhimento destas vítimas (como as delegacias da mulher e o Disque 100, do governo federal), muitas vezes as pessoas deixam de fazer a denúncia ou de buscar ajuda, por vergonha ou medo de se expor.

Coletivos

A origem do projeto foi uma série de denúncias feitas por coletivos estudantis feministas e LGBT da universidade, na semana entre 24 e 29 de maior, depois que cartazes com ameaças de estupro foram colados nas paredes do Centro Politécnico.

Chamados para uma reunião com a Pró-reitoria de Extensão e Cultura (Proec), os coletivos se dividiram em três grupos de trabalho, sobre legislação, comunicação e formas de acolhimento. Em paralelo, núcleos que realizam pesquisa acadêmica na área de violência e discriminação fizeram um diagnóstico sobre a questão.

As conclusões foram similares, e assim surgiu a necessidade de um canal de denúncia que permitisse o anonimato, e que acompanhasse as vítimas de alguma forma.

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FONTEGazeta do Povo
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