PR revigora a base da bovinocultura

Programa traça metas para ampliar tamanho e qualidade do rebanho de corte

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O Paraná investe na base da cadeia da carne bovina para impulsionar o setor. Com o décimo maior rebanho do Brasil e apenas 2% de participação no volume das exportações nacionais, a bovinocultura do estado se deu conta de que precisa melhorar o desempenho das matrizes e produzir mais bezerros.

Oficialmente em vigor desde a última semana, o Plano Integrado de Desenvolvimento da Bovinocultura de Corte traça uma série de metas para melhoria desse elo da produção até 2025. Estão na mira do programa índices zootécnicos como idade do primeiro parto, taxa de prenhez, de natalidade e mortalidade.

O setor quer fazer com que 30 meses seja a idade média de abate, sete meses a menos que a atual. A intenção é reduzir a proporção de fêmeas que vão para abate (51% em 2014). De ser usada inseminação artificial –com melhoria genética – em 30% das matrizes.

Com a expansão do cultivo de soja, “a bovinocultura perdeu espaço, foi para áreas mais marginais” pontua o coordenador do Comitê Gestor do plano, Rodolpho Luiz Werneck Botelho. “Queremos melhorar o setor principalmente nessas áreas marginais, que têm produtividade menor.”

A mobilização será a partir da difusão de informações. Setores público e privado devem realizar ao menos 20 simpósios regionais e identificar 250 fazendas de referência.

O investimento tenta corrigir uma dificuldade histórica do setor, aponta o diretor-técnico da Informa Economics FNP, José Vicente Ferraz. Ele explica que as três principais etapas da produção são a cria, recria e engorda, sendo a primeira delas mais complexa. “A cria sempre foi o ‘patinho feio’, porque é a etapa mais trabalhosa e a que menos vende. Isso acabou criando um gargalo para a produção”, detalha.

O fortalecimento da base tende a gerar um efeito dominó que pode chegar aos frigoríficos. “O estado precisa de um sistema de produção de bezerros. No longo prazo isso vai permitir um aumento do plantel e pode movimentar a indústria local”, avalia o presidente do Sindicato das Indústrias de Carnes do Paraná (Sindicarne) e da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), Péricles Salazar. “Além de reter mais, precisamos ampliar o número de fêmeas”, acrescenta.

O bom momento das cotações, que batem em R$ 150 por arroba em Paranavaí, favorece a retomada. “Não bastam boas intenções se o produtor não tiver rentabilidade no negócio. O momento comercial é bom e estimulante”, aponta Salazar.

O apoio é considerado bem-vindo no campo. “O momento está propício para produção de bezerros, com o preço da arroba sem tendência de abaixar. Não há crise na bovinocultura [no campo], apenas alta dos insumos cotados em dólar. É preciso saber trabalhar e dosar tudo muito bem”, diz a zootecnista Ana Lucia Spironelli Quintiliano, sócia da Fazenda Santa Marta, que detém 150 bovinos na região de Londrina (Norte).

Com isso o cenário torna-se promissor. “O principal a gente tem: água, energia. Temos bons animais, excelentes reprodutores, matrizes e bezerros. Só precisa aumentar a oferta de bezerros para o cara aguentar pagar [pelos animais]”, opina o agrônomo e consultor da Planafertil Agroflorestal, Antonio Felipe Domansky.

Colaborou: Marcos Cesar Gouvea, do Jornal de Londrina.

Queda no consumo freia alta de preços

No mercado, o desafio da pecuária é garantir rentabilidade mesmo com queda no consumo. A alta nos preços no campo ampliou a pressão sobre o varejo e a crise na economia nacional enfraqueceu a demanda pela proteína. O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) aponta aumento nos preços da carne bovina em 18 cidades pesquisadas. Em 12 meses, a alta varia 14,69%, em Florianópolis, a 30,14%, em Aracaju.

“A oferta restrita elevou o valor do produto. Houve ainda lentidão nos negócios com os frigoríficos devido aos altos preços”, informa o Dieese. O consumidor busca carnes mais baratas (frango, suíno), avalia o diretor-técnico da Informa Economics FNP, José Ferraz.

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FONTEGazeta do Povo
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