Paulo Bernardo é indicado ao comando de Itaipu; oposição e base criticam

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Duas indicações de petistas para ocupar cargos na presidência da Itaipu e no conselho da Anatel causaram críticas da oposição, e até mesmo de senadores da base de apoio do governo. A análise deles é de que a presidente Dilma Rousseff erra ao enviar nomes políticos num momento em que ela é criticada por aparelhar a administração.

O ex-ministro Paulo Bernardo foi escolhido por Dilma para assumir a presidência de Itaipu, como adiantou nesta segunda-feira (17) a coluna Panorama Político, de Ilimar Franco. Paulo Bernardo vai substituir Jorge Sameck, que ocupa o cargo desde o primeiro mandato do presidenteLula. O nome dele já está na Casa Civil e passou pelo Ministério de Minas e Energia. A nomeação está na cota do PT. Paulo Bernardo foi ministro do Planejamento no governo Lula e das Comunicações no primeiro mandato da presidente Dilma.

Já o ex-senador Aníbal Diniz (PT-AC), que ocupou o cargo por quatro anos na vaga de Tião Viana, eleito governador do estado em 2010 e reeleito em 2014, foi indicado para compor o conselho diretor da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) na vaga de Jarbas Valente, que deixou o cargo em novembro do ano passado. Além dele, Dilma também sugeriu o advogado Otávio Luiz Rodrigues Júnior, que trabalhou na consultoria jurídica do Ministério das Comunicações quando o senador Eunício Oliveira (PMDB-CE) era o ministro. Rodrigues Júnior entrará na vaga de Marcelo Bechara, que deixou a função no último dia 13.

Paulo Bernardo foi deputado federal (PR), secretário da Fazenda do ex-governador Zeca do PT (MS) e Secretário da Fazenda da prefeitura de Londrina (PR). Ele é casado com a senadoraGleisi Hoffmann (PT-PR). Sua estreia na vida política se deu pela diretoria do Sindicato dos Bancários do Paraná. Bernardo foi eleito deputado federal pelo Paraná em três legislaturas (1991–1995, 1995–1999 e 2003-2005).

Um senador da base aliada disse que a presidente erra ao encaminhar o nome de Paulo Bernardo para a Itaipu no momento em que a Polícia Federal investiga o pagamento de R$ 7,2 milhões para escritórios do advogado Guilherme Gonçalves. O escritório coordenou juridicamente as campanhas de Gleisi, nos anos de 2008, 2010 e 2014.

O advogado é suspeito de receber pagamentos e propinas ligados à atuação da empresa de tecnologia Consist no Ministério do Planejamento. Segundo a Polícia Federal, os pagamentos ocorreram após a assinatura de um acordo de cooperação entre o ministério, a Consist e a Associação Brasileira de Bancos e Sindicatos de Entidades Abertas de Previdência Privada para gerir o sistema de empréstimo consignado da pasta. Na época, Paulo Bernardo era o ministro.

“Esse não é o melhor momento para enviar um nome como o do Paulo Bernardo, uma vez que a PF levanta suspeitas sobre uma pessoa que é do relacionamento dele”, disse o senador governista.

Um outro senador, também da base governista, acredita que o nome do ex-ministro não terá dificuldades. Mas ele criticou a indicação de Aníbal Diniz, de quem nem lembrava — apesar de ser senador há dois mandatos.

“ Nomes como esse não ajudam a construir uma unidade”, criticou.

Já o líder do DEM, Ronaldo Caiado (GO), foi duro na análise:

“Neste momento, por conta do clima que o país vive, o nome do Paulo Bernardo vai enfrentar dificuldades no Senado”, avaliou. “A presidente deveria indicar nomes técnicos, qualificados e não de um partido político. Ele não tem conhecimentos técnicos para dirigir uma empresa tão importante, para debater políticas energéticas para o país.”

Ao ser perguntado sobre a indicação de Aníbal, Caiado foi sarcástico: “Quem é Aníbal? Se ele é desconhecido como político, imagina como técnico!”

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