Nove episódios que talvez você não saiba da vida de Valdivia no Palmeiras

O meia acumulou polêmicas com o médicos, torcedores organizados, companheiros de equipe.

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Foram 148 partidas, 17 gols, muitas lesões, diversas polêmicas e dois títulos: a Copa do Brasil em 2012 e a Série B em 2013. Os últimos cinco anos de Valdivia no Palmeiras terminaram na última segunda-feira (17) e foram repletos de episódios marcantes durante sua trajetória.

O meia acumulou polêmicas com o médicos, torcedores organizados, companheiros de equipe. Tudo isso que o palmeirense mais atentou leu durante os mais de 1.825 dias na Academia de Futebol. Mas também se envolveu em problemas que não foram divulgados ou quase nunca saíram para a imprensa.

Ele vai embora para os Emirados Árabes na próxima quarta-feira (19) para jogar no Al Wahda pelos próximos dois anos, com um contrato que vale US$ 5 milhões, o que significa mais de R$ 17 milhões. Há quem aposte que ele volta correndo para o Brasil assim que esse período passar. Sua família não quer sair do país. Por isso que ele abriu negociações com o São Paulo

Confira 9 fatos que você talvez não saiba de Valdivia no Palmeiras

1. Ele deu chá de cadeira no representante do Palmeiras na Áustria

Depois de ser campeão do Paulistão em 2008, Valdivia foi jogar no Al Ain, dos Emirados Árabes. Mas ele não aguentou muito tempo. No meio de 2010, o Palmeiras de Luiz Gonzaga Belluzzo estava empolgado trazendo ídolos de volta e foi atrás do chileno. O presidente mandou um empresário para a Áustria, onde o time árabe fazia pré-temporada. Na chegada ao hotel, depois de fazer a viagem até o local, o representante alviverde precisou ficar horas na recepção do hotel esperando pelo camisa 10, que alegou dor de cabeça para não descer do quarto para a recepção. O agente precisou pegar no telefone e dar uma bronca no meia, que acabou cedendo e desceu para conversar.

2. O Flamengo fez o negócio em 2010 sair mais caro

Depois de algumas conversas, o Palmeiras se acertou com Valdivia e também com o time árabe. Preço de compra, salários e tempo de vinculo ficaram acertados. O Alviverde, então, anunciou que tinha feito o acordo e causou furor. Os palmeirenses pagariam 4 milhões de euros para o Al Ain. Ao chegar no Brasil, no entanto, o Flamengo fez uma proposta e inflacionou todo o negócio. O clube precisou pagar mais 2,250 milhões de euros para manter o acordo. Foi aí que Belluzzo recebeu a ajuda de Osório Furlan Jr., o empresário que teve, até a última segunda-feira, 36% dos direitos econômicos do atleta. Mas e o contrato apalavrado na Áustria? Não estava assinado? Entenda no próximo tópico.

3. O primeiro contrato foi feito em português. Mas a Fifa não reconhece

O primeiro contrato feito entre Palmeiras, Valdivia e Al Ain foi feito em português. Mas a Fifa só reconhece documentos em inglês ou em espanhol. O chileno sabia disso. E foi avisado por um outro empresário, que conseguiu uma proposta maior do Flamengo. Com isso em mãos, conseguiu jogar pesado e fazer o time paulista cobrir a proposta flamenguista e ainda aumentar um pouco o salário do meia. Curiosamente, o intermédio entre meia e cariocas foi feito por um agente que sempre gostou de contar a todos que era palmeirense.

4. O pai de Valdivia, o empresário surpresa, ainda cobra o Palmeiras

Depois de tudo isso, Valdivia e seu pai também aproveitaram a falha contratual para conseguir tirar ainda mais dinheiro. Dessa vez, o prejudicado foi o empresário, o mesmo que tomou chá de cadeira na Áustria. Ele teria direito a 10%¨do total da negociação, entre salários do atleta e o preço pago pelo Palmeiras ao Al Ain. Como o contrato era inválido, Valdivia fez seu pai ser um dos empresários envolvidos na negociação para ter direito a uma fatia de tudo. O clube, então, precisaria pagar cerca de R$ 1 milhão para Luis Valdivia e não mais para o intermediador. Até hoje não houve esse pagamento.

Ricardo Nogueira/Folhapress

Valdivia e Kleber se divertem durante treino do Palmeiras em 2011

5. Kleber Gladiador era seu parceiro fiel de balada

Assim que voltou, Valdivia recebeu a companhia de Kleber Gladiador. Os dois, juntos, formavam uma dupla de sucesso com a torcida. E também de sucesso nas casas noturnas. Os dois não negavam uma chance de ir para a balada. Carnaval também era lugar frequente do meia, que teve até problemas de exposição em rede nacional por causa de uma traição seguida de chantagem. Funcionários palmeirenses afirmam que, frequentemente, os dois mostravam sinais de ressaca na chegada aos treinos, especialmente de manhã. Mais de uma fez eles faltaram aos compromissos. O camisa 10, recentemente, admitiu que teve problemas com a bebida e, anteriormente, disse ser normal dormir em sessões de fisioterapia. Já o atacante tinha mais resistência e não sofria tanto com as noitadas.

6. Brigou com Felipão e fez as pazes após o sequestro

Valdivia tinha problemas de relacionamento com Felipão. Ao mesmo tempo em que não conseguia sair da balada, começou a ser exposto pelo comandante na imprensa. Eles passaram a não falar mais a mesma língua. O pentacampeão, no entanto, reconquistou o camisa 10 no episódio do sequestro-relâmpago sofrido pelo atleta, em 2012. Felipão foi como um pai para o palmeirense, deu apoio total e esteve ao lado do meia no momento mais difícil. No título da Copa do Brasil de 2012, os dois se abraçaram e fizeram as pazes de vez. Luxemburgo, no entanto, segue como o favorito do meia durante sua passagem no Brasil.

Fabio Braga/Folhapress

Marcos Assunção e Valdivia, que depois virariam inimigos, treinam no Palmeiras

7. Se interessava pela polêmica vida política do Palmeiras

O chileno é esperto. Valdivia não economiza tempo para ler tudo o que sai dele na imprensa e ainda tem fiéis escudeiros que avisam sobre tudo o que falam. Por isso, sabia falar até da conturbada política palmeirense. Nesse meio tempo, fez inimigos como Arnaldo Tirone e Wlademir Pescarmona. Em entrevistas, usava ironias que só os conselheiros mais envolvidos nas alamedas alviverdes entendiam. Tirone, aliás, tentou o vender em 2013, para outro time árabe, o Al Saad. No campo, seu jeito também atraia problemas. Ele chegou às vias de fato com Marcos Assunção. Ao mesmo tempo, era ídolo dos meninos da base.

8. Bateu vários recordes no Palmeiras

O jeito irreverente de Valdivia atraia problemas, mas também muitos fãs. Ele foi o segundo estrangeiro que mais jogou pelo Palmeiras, só atrás de Arce. E ele só não bateu o recorde por dois jogos. Foram 241 do paraguaio contra 239 do chileno. Um recorde que é dele, no entanto, foi o de 122 vitórias e o rótulo de gringo que mais venceu pelo Palmeiras. Sua meta era virar ídolo palmeirense, assim como Marcos e Ademir da Guia. Passou longe.

9. Teve uma despedida solitária da Academia

Nesta segunda-feira, ele treinou sozinho no seu último dia de Palmeiras. Quando foi embora, tirou diversas fotos, autógrafos e atendeu a todos funcionários que estavam na Academia de Futebol. Ele é bastante querido e idolatrado por eles. Tudo isso aconteceu em horário alternativo, para que ele não tivesse contato com o grupo principal. Determinação da diretoria e comissão técnica. Até a sua camisa, com o número 10, já tinha ido para Barrios.

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FONTEUol Esporte
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