Espírito juvenil do “Pânico” segue vivo, mas programa volta em marcha lenta

No ar desde 2003, primeiro na RedeTV! e desde 2012 na Band, o “Pânico” sofre, como todo programa de humor, de um desgaste natural.

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Como ocorreu nos últimos anos, a estreia da nova temporada do “Pânico”, neste domingo (5), expôs o grande dilema do humorístico – como reconquistar parte da audiência perdida sem correr o risco de desagradar aos fãs mais fieis? Como dar cara nova ao programa sem alterar o seu DNA?

No ar desde 2003, primeiro na RedeTV! e desde 2012 na Band, o “Pânico” sofre, como todo programa de humor, de um desgaste natural. E tem tentado atenuar o problema da única forma possível, mudando parte do elenco e criando novos quadros.

Relendo o que escrevi sobre a estreia do “Pânico” em 2015 e em 2016, vejo que a temporada de 2017 começou com menos expectativas. Depois de muitos anos, o programa está com novo diretor, mas não parece ansioso para mostrar novidades.

Ao contrário, o “Pânico” estreou em marcha lenta, com uma longa reportagem de Rodrigo Scarpa sobre a posse de Donald Trump na presidência dos EUA – um evento ocorrido em 20 de janeiro, 17 dias antes de o programa ir ao ar. E emendou com uma reportagem de Alfinete sobre a guerra do prefeito de São Paulo, João Dória, contra os pichadores, um assunto datado do início de janeiro, há mais de 30 dias.

Por outro lado, o espírito juvenil do programa segue vivo – e isso é bom. Emilio Surita anunciou que o “Pânico” exibiria com exclusividade o show de Lady Gaga programado para ir ao ar na noite de domingo durante a transmissão do Superbowl, a final do campeonato de futebol americano. O apresentador repetiu várias vezes o anúncio até que, finalmente, assistimos à entrada da Gaga do Pânico imitando a cantora americana.

“Nós sabemos zoar como ninguém”, avisou Emilio, antes da estreia de um novo quadro, “Banheiro em Pânico”, no qual Alfinete, Daniel Zuckerman e Bola, com a ajuda de câmeras escondidas e microfones, trolam homens em um banheiro público. Tive a impressão que o trio achou mais graça da brincadeira do que nós espectadores.

Na mesma linha, o programa também estreou o “Eu duvido”, com Vesgo, Zukerman e dois produtores fazendo micagens e trolagens dentro de um restaurante.

Duas novas criações ficcionais foram ao ar. “Prison Eike – a vida de Eike Batista em sua cela nada especial” e “Tá no Lar”, com o elenco do “Pânico” fazendo uma paródia do “Ta no Ar”. São duas ótimas ideias, mas com um velho problema: roteiro pouco inspirado.

Por duas horas e meia, Emilio prometeu mostrar “daqui a pouco” os bastidores da trolada de Rodrigo Scarpa em Carolina Cimenti, repórter da GloboNews – uma brincadeira que foi ao ar em 19 de janeiro (veja o vídeo acima). É um truque clássico do “Pânico”, o de criar expectativa do início ao fim com uma grande atração, mas fazer isso com uma brincadeira que todo mundo já havia visto? Foi um outro sinal de que o humorístico estreou sem muito entusiasmo.

Uma das mensagens exibidas na tela logo no início do programa dizia: “Assista hoje, comente amanhã”. É um objetivo que, por muitos anos, o “Pânico” alcançava sem fazer força. A estreia de 2017 lembrou que a missão não é mais tão fácil.

Audiência: O “Pânico registrou 4.4 pontos de média, em São Paulo, perdendo para o “Encrenca”, que obteve média 4.8. As atrações concorreram entre 22h e 23h e, neste período, o programa da RedeTV! ficou à frente do humorístico da Band durante 58 minutos não consecutivos, registrando média 5,31 contra 4,85.

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FONTEUOL TV e Famosos
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