Há 20 anos no ar, “Malhação” se renova de novo e agora retrata subúrbio

Alunos dos colégios Dom Fernão (à esquerda) e Leal Brazil: nova temporada de "Malhação" terá rivalidade entre estudantes de dois colégios

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A rivalidade entre dois colégios públicos, um de excelência e o outro em condições precárias, num subúrbio de uma grande cidade é o pano de fundo da vez para as tramas que conversam com os jovens há exatos 20 anos em “Malhação”: a paixão entre os mocinhos, os empecilhos criados pela vilã, os conflitos entre gerações, as incertezas sobre a vida adulta. Com o desafio de substituir a bem-sucedida temporada intitulada “Sonhos”, “Malhação: Seu Lugar no Mundo” estreia nesta segunda-feira (17) apostando no drama e na aventura para atualizar o diálogo com esse público que se renova a cada ano.

A tarefa cabe a um escritor que conhece bem a missão: Emanuel Jacobina, que criou a novela com Andréa Maltarolli, volta a assinar o roteiro de “Malhação” nesta temporada. Mas o público que conheceu a novela no longínquo ano de 1994 é bem diferente do que assiste ao programa hoje em dia, ele reconhece.

“Quando ‘Malhação’ começou, a conectividade praticamente não tinha importância. Hoje as redes sociais possibilitam que tenha acesso a entretenimento de qualidade a hora que você quiser. Isso, pra um profissional de TV aberta, é um desafio. Hoje em dia a gente é obrigado a contar um número maior de histórias por capítulo, por bloco até. Se a gente não oferecer isso, o espectador vai procurar uma alternativa qualquer”, afirma o autor, que também fez a transição da academia para o colégio Múltipla Escolha em 1999.

A audiência também migrou em parte para a web, e os novos tempos não são ignorados pela equipe. “Os números de internet não param de crescer, nos próximos 20 anos tem muita estrada para trilhar”, afirma o diretor geral Leonardo Nogueira. “O importante é não perder o foco dos jovens e fazer a conexão do folhetim para esse universo”, analisa Jacobina.

Tata Barreto/TV Globo

Rodrigo (Nicolas Prattes) e Luciana (Marina Moschen) são o casal principal de “Malhação: Seu Lugar no Mundo”

Romance e rivalidade
Apesar das diferenças, “Malhação” não deixa de ser um folhetim, como o autor faz questão de frisar. Desta vez, os protagonistas são Rodrigo (Nicolas Prattes) e Luciana (Marina Moschen). O rapaz passa por uma tragédia familiar ainda nos primeiros capítulos, com a morte do irmão, João (João Vithor Oliveira), após um acidente numa escalada, o que piora muito sua relação com o pai. Mesmo envolvido com Ciça (Julia Konrad), o jovem não resiste à atração com Luciana, nova aluna do colégio Leal Brazil, referência de ensino, que tem opiniões tão fortes quanto as dele.

“Via ‘Malhação’, mas nunca tinha pensado em ser atriz. Até que fiz curso de teatro aos 15 anos e descobri que era o que eu queria para a minha vida. Fico feliz de fazer parte de um trabalho que tantos outros atores incríveis fizeram”, diz a estreante Marina, 18.

Vistos como “elite”, os alunos da escola alimentam uma rixa antiga com os estudantes do Dom Fernão, como Julia (Lívian Aragão) e Filipe (Francisco Vitti), que frequentam um colégio com poucos recursos e baixo investimento.

Ao grupo de estreantes, que inclui ainda o cantor Lucas Lucco e Giulia Costa, entre outros, juntam-se atores experientes como Vanessa Gerbelli, Solange Couto, Marcos Frota e veteranos de “Malhação” como Murilo Rosa, Juliana Knust e Eduardo Galvão.

“Quando o Leo me chamou, disse: ‘Preciso de você pra puxar esse barco’. Para mim elenco é um só coisa só, mas precisa dessa interação. Engraçado é que completo 20 anos na Globo este ano, e minha primeira aparição foi justamente em ‘Malhação’. Está sendo muito bacana voltar. Vendo o sucesso da temporada anterior, percebi que horário nobre é qualquer horário. Com a audiência que está dando, é um produto que precisa ser respeitado”, analisa Murilo, 44, que interpreta Rubem, professor de matemática do Leal Brazil.

Solange, que interpreta Vanda, mãe de Luan (Vitor Novello) e Uodson (Lucas Lucco), também não considera a diferença de idade uma barreira entre os colegas. Ao contrário. “Já sou espevitada, e agora vou trabalhar com meninos de 16, 18 anos. Vou regredir mais ainda! Nos exercícios que fizemos durante a fase de preparação, a gente brincava, subia e descia escada, escondi bolsa, fiz miséria com eles! É reenergizante”, conta a atriz de 59 anos, que nem aparenta ter sofrido um infarto há poucos meses.

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FONTEUol
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