Dólar cai em dia de poucas notícias, com cena política no radar

Na sexta-feira, a moeda norte-americana recuou 0,83%, a R$ 3,5081. Na semana passada, alta foi de 2,44%, e no ano há valorização de 31,95%.

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Após abrir em alta, o dólar recuava em relação ao real nesta segunda-feira (10), mas mantendo o patamar de R$ 3,50, em um dia de noticiário esvaziado no Brasil e após a maior intervenção do Banco Central no mercado de câmbio, com os investidores ainda bastante temerosos em meio à crise política no país.

Às 10h39, a moeda norte-americana caía 0,14%, a R$ 3,5031 na venda.

“É um dia morno, sem grandes movimentos. O quadro é de cautela”, disso o superintendente de câmbio da corretora Intercam, Jaime Ferreira.

Investidores continuavam focando suas atenções no noticiário político, que tem impulsionado a moeda norte-americana nas últimas semanas. O medo é que golpes à credibilidade do país afastem investimentos do mercado local, além de entraves ao reequilíbrio da economia brasileira.

“Os mercados brasileiros continuam focados mais em eventos políticos domésticos do que em indicadores econômicos”, escreveram analistas do JPMorgan em nota a clientes, salientando a incerteza sobre a aprovação de medidas do ajuste fiscal pelo Congresso Nacional e o noticiário sobre a possibilidade de a presidente Dilma Rousseff não concluir seu mandato.

Operadores ressaltavam também que o aumento da intervenção do BC no câmbio corroborava o alívio no mercado local. Após as fortes altas recentes da moeda dos EUA, a autoridade monetária sinalizou que rolará integralmente os swaps cambiais que vencem em setembro, após três meses de rolagens parciais.

Mais tarde, o BC dará continuidade à rolagem, com oferta de até 11 mil contratos, equivalentes a venda futura de dólares.

Nos mercados externos, a perspectiva de que o Federal Reserve, banco central norte-americano, pode elevar os juros no mês que vem sustentava o dólar perto das máximas em quatro meses em relação a uma cesta de moedas.

Juros mais altos podem atrair para a maior economia do mundo recursos aplicados em países como o Brasil. O vice-chair do Fed, Stanley Fischer, afirmou nesta manhã que a inflação nos EUA está “muito baixa”, mas apenas temporariamente.

Na sexta-feira, a moeda norte-americana fechou em baixa pela primeira vez em sete sessões, mas permaneceu acima do patamar de R$ 3,50, que foi rompido na véspera, em meio à contínua deterioração do cenário político e econômico brasileiro e após divulgação de dados fortes sobre emprego nos EUA, que fortaleceram a tese de que os juros subirão no mês que vem no país.

A moeda norte-americana recuou 0,83%, a R$ 3,5081 na venda.

Nos seis pregões anteriores, o dólar acumulou valorização de 6,25% e chegou a R$ 3,57 no intradia da véspera, maior patamar em 12 anos.

Apesar do respiro de agora, especialistas dizem que a tendência ainda é de alta, segundo a Reuters.

Na semana passada, o dólar subiu 2,44%. No ano, há valorização acumulada de 31,95%.

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FONTEG1
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