Estado quer dar destinação correta a resíduos recicláveis e reduzir custeio

Além de contribuir com o meio ambiente, a medida está alinhada com a determinação de reduzir desperdícios e o custeio da máquina pública.

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O Governo do Estado prepara uma série de ações para que toda estrutura da administração direta e indireta dê destinação correta e reduza o volume de resíduos sólidos recicláveis. Além de contribuir com o meio ambiente, a medida está alinhada com a determinação de reduzir desperdícios e o custeio da máquina pública.

Com a iniciativa, as secretarias, autarquias, empresas públicas, fundações e sociedades de economia mista deverão fazer a coleta seletiva de materiais recicláveis. A proposta também tem espírito solidário. O material descartável deve ser encaminhado para associações e cooperativas de catadores que não visem lucro com a venda de seus produtos.

Para motivar os servidores e multiplicar atitudes e procedimentos ambientais adequados, a Casa Civil criou um Grupo Gestor dessa política de âmbito estadual. Dele fazem parte representantes das secretarias de Administração e Previdência e do Meio Ambiente e de Recursos Hídricos, que coordena o trabalho.

“É um projeto importante porque investimos em três frentes: promover a educação ambiental interna; criar um ambiente sustentável de trabalho e incrementar a renda dos catadores”, diz o Chefe da Casa Civil, Eduardo Sciarra.

AÇÕES EDUCATIVAS – Em toda estrutura do Estado já foram ou estão sendo criadas comissões para desenvolver, ampliar ou melhorar práticas de uso racional de materiais, com ações educativas. “Com essas iniciativas, o Paraná implanta sua agenda ambiental na administração pública”, comenta o Secretário do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Ricardo José Soavinski.

O secretário destaca outro aspecto do programa. “Essa ação desperta também a reflexão sobre boas práticas que evitem o desperdício e demonstrem a responsabilidade do Estado com a redução de resíduos sólidos produzidos nas suas atividades, a destinação adequada de todo material reciclável e seu reaproveitamento”, completa Soavinski.

OFICINA TÉCNICA – Na segunda-feira (17), será feita uma oficina técnica com 30 gestores para debater o programa e seu funcionamento em Curitiba. Os integrantes do grupo são tratados por agentes de mudança e agentes de transformação pelo coordenador do Grupo Gestor de Resíduos Sólidos, Vinício Bruni.

“Esses servidores estão encarregados de sensibilizar colegas de trabalho e vão levar as informações e os cuidados com o meio ambiente para além das instalações públicas, e reproduzi-las em casa e nos locais de lazer”, explica Bruni.

A primeira etapa do processo vai concentrar esforços na redução do volume de resíduos sólidos – papel e papelão, de grande uso administrativo – gerado pelo Estado. As ações educativas vão se estender, naturalmente, para a redução do consumo de água e luz, que depende de procedimentos simples.

A coordenação também vai treinar os funcionários terceirizados de limpeza e conservação para fechar o ciclo da adequada coleta dos resíduos nos locais de trabalho.

As associações e cooperativas de catadores serão selecionadas pelos órgãos e entidades da administração, dentro dos critérios de alternância e isonomia. Esse processo de escolha é para garantir que elas tenham oportunidades semelhantes de receber a contribuição do Estado para a geração de emprego e renda.

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Reciclagem levada a sério

Na Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística, além da redução de resíduos, a reciclagem é levada a sério e tem escala quase “industrial”. Na carpintaria instalada na sede, em Curitiba, funciona a linha de montagem de bituqueiras (para armazenar restos de cigarros), dispensers (para copos), papa pilhas, bombonas (óleo de cozinha), recipientes para descarte de lâmpadas.

Tudo é feito com reaproveitamento de materiais empregados nos serviços e obras da secretaria e suas vinculadas, como sobras de canos de PVC ou galões de água sanitária. Quando prontas, as peças sustentáveis são distribuídas para uso também nas instalações do DER, Paraná Edificações, Appa, Ferroeste, inclusive no interior.

Esse trabalho é parte do resultado das ações do projeto Educar para Reciclar, que nos últimos anos ganhou impulso e tem no secretário José Richa Filho seu grande apoiador. “Reduzir e tratar adequadamente os resíduos sólidos gerados na secretaria é uma de nossas prioridades. Temos compromisso com o bem estar dos nossos servidores e com o meio ambiente”, comenta.

VOLUNTÁRIOS – Um grupo de voluntários, sob a liderança de Enedir Terezinha da Luz, concilia o trabalho diário com reuniões para troca de ideias, planejamento e execução de campanhas internas sobre o respeito ao meio ambiente, design e acompanhamento da produção das peças recicladas.

Uma campanha educativa permanente, com o uso de cartazes, dá resultados, comemora Enedir: “Do funcionário mais graduado ao peão de trecho, todos agora pensam duas vezes antes de jogar qualquer coisa no chão.”

Nos corredores, lixeiras coloridas; nos locais de trabalho, lixeiras que organizam a coleta; restos de papel branco devem ser depositados em tampas reutilizadas de grandes caixas de papelão, para melhor tratamento pela empresa que recolhe, separa e recicla esse material. Óleo de cozinha usado nas cantinas e que os funcionários trazem de casa são encaminhados para fábrica de sabão.

PAPEL TOALHA – O grupo instalou o Espaço Bem Estar, num dos lados do terreno onde antes havia só entulho. Os funcionários agora podem ler um livro ou aproveitar a pausa para o almoço, ao ar livre, em meio à horta e ao jardim. Por sinal, as verduras e vegetação serão adubadas com a compostagem que está sendo produzida em tambores de plástico de 200 litros, ao lado.

Enedir conta que já foi iniciada também a coleta de papel toalha, que será encaminhada, a exemplo de bitucas de cigarro, para produção de empresa de hidro-semeadura. Em breve, com o apoio técnico da Secretaria de Estado do Meio Ambiente, restos de tinta, peças de maquinário, óleo hidráulico, terão também destinação adequada.

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FONTEAEN
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